minha mente
me sabota
todos os dias.
“As vezes a gente tem que matar, plantar, regar, para que possa nascer de novo.”
— Faroeste Caboclo.
eu causo minha própria destruição sem ao menos me dar conta de como isso acontece,
buracos negros são estrelas que entram em colapso com seu próprio campo gravitacional, e eu entrei em colapso comigo mesmo,
e talvez, só talvez,
nem a luz sobreviva aqui dentro.
“O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando “você muda””
— Luiz Fernando Veríssimo.
“Um dia vai dar certo, ah vai. Mas antes disso vai dar tudo errado.”
— Tati Benardi.
Eu queria saber como começar escrever esse texto sem estar assim, tão confusa. Eu queria chegar dizendo coisas lindas, agradáveis para serem lidas, coisas onde tu coloca os olhos e não sente sua visão sendo agredida e nem seu coração sendo esmagado. Eu não tô bem, eu sinto um vazio gigante aqui dentro, e não pense que é falta de amor próprio, porque sobre amor eu sei muito mais do que você e meio mundo por aí. Amor, pra mim é nunca desistir, em hipótese alguma e mesmo se desistir, no mínimo pedir perdão pela desistência. O vazio que eu sinto não é sobre alguém ter partido meu coração, não é sobre abandonos, não é sobre decepções. É sobre nunca conseguir que alguém fique. O vazio que me refiro é sobre mim, porque cada um que passou levou um pouquinho de mim, sabe? O resto que eu tinha se foi. O vazio que há, é sobre não saber o que fazer, é não saber onde ir, é não saber com quem falar ou conversar. Ah, você não imagina o quanto eu me odeio ou o quanto já me odiei por ter acreditado em palavras bonitas, em palavras que de certa forma criava algo ilusório em minha cabeça. Palavras que faziam meu coração disparar. Eu confesso que quando olho para dentro do meu coração eu vejo um gigante buraco negro e como todo buraco, há as beiradas, e nessas beiradas tem o restinho de confiança, o restinho de carinho, o restinho de alegria, o restinho de todas as coisas bobas, e é esses acúmulos de restinhos que tem me feito ficar, eu fico, mas meus olhos estão nesse puta buraco e eu sei que ali dentro é frio, é escuro, é doloroso, é sombrio, é agressivo, é morto. Posso confessar? A vontade que tenho é de fechar os olhos, respirar fundo e deixar me levar, cair, e deixar que esse buraco me engula com toda escuridão e profundeza que exista. A gente nunca sabe o quanto podemos ser fortes se não descobrirmos o quão fraco a gente chega a ser. E estou sendo uma pessoa muito fraca, na realidade, já sinto meus olhos fecharem, já sinto meus pulmões se enchendo devagar e sinto meu corpo se inclinando, é questão de pouco tempo e já era. Acabou. Fim. E não me preocupo, creio que já vi, senti, vivi todas as coisas lindas para se viver até agora na idade que tenho, mas também já vi, senti e vivi todas as coisas ruins, tudo é questão de escolha. Já tirei tantas pessoas de buraco, ou até mesmo da beirada e as trouxe para um lugar seguro, só que há algo que dói, mesmo eu estando na beirada, é tão difícil ver que exista alguém querendo fazer o mesmo por você, talvez seja por isso que me concentro nisso, cair ou não cair? Me jogar ou não? Fechar os olhos. Respirar. Cair. Engolir. Cair. Respirar. Uma respiração de cada vez. Eu estou bem. Eu estou bem. É só respirar. O brilho dos olhos se apaga, a cor castanho escuro se transforma em um preto mais profundo ainda. Por mais que sentir a luz seja tão bom e maravilhoso, sentir a escuridão é tão intenso quanto. Não é drama, é só que estou tão devastada que encontrar conforto nesse buraco não é um modo de fugir da dor, mas aprender a viver com ela.
